Foto: Vinicius Becker
Ao longo de 122 anos de existência em Santa Maria, o Complexo Hospitalar Astrogildo de Azevedo (CHAA) tem avançado no cuidado com algo que é insubstituível: a vida. Para fazer isso, a instituição conta, diariamente, com equipes médicas e de enfermagem, colaboradores, funcionários e principalmente, um conselho composto por cerca de 40 pessoas.
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A Associação Protetora, como é chamada, tem como objetivo garantir que o Complexo Hospitalar continue crescendo. Neste processo, diferentes ideias, experiências e lideranças são bem-vindas. Em 26 de março de 2025, uma nova diretoria foi eleita, tendo como provedor o professor aposentado Antônio Carlos Freitas Vale de Lemos, 78 anos. Ao lado dele nesta gestão, que tem duração inicial de dois anos, estão o engenheiro Carlos Medeiros de Farias como primeiro vice-provedor e o empresário Antônio Saccol como segundo vice-provedor, além de outros seis membros.
Em entrevista ao Diário, Lemos falou sobre os pilares da nova gestão e o futuro da maior instituição hospitalar particular do Rio Grande do Sul.
Conselho
Engana-se quem acredita que o envolvimento de Lemos com o Complexo Hospitalar Astrogildo de Azevedo é recente. O interesse pelo bem-estar coletivo é descrito pelo professor como um legado deixado pela família paterna, que contribuiu com doações à instituição, na época Hospital de Caridade, entre 1905 e 1915. Para Lemos, o envolvimento da comunidade é um dos pontos fortes desta história, que começou com o médico Astrogildo César de Azevedo em 1903.
– Este conselho sempre foi formado por pessoas ligadas à comunidade. Antes, a Associação Protetora era composta só por médicos. Depois, resolvemos dizer que os médicos fazem parte do corpo clínico, deixando para nós, com diferentes formações, levarmos adiante esta ideia brilhante que teve o Astrogildo de Azevedo há 122 anos. Inicialmente, nos reuniamos duas vezes ao ano para acompanhar as atividades administrativas e financeiras. Hoje, estamos tornando essas atividades mais profissionais – conta o provedor.
Antes de ser provedor, Lemos exerceu diversas funções dentro da Associação Protetora:
– Fui, muitas vezes, conselheiro fiscal. E em 2002, fui convidado por Wilson Aita para fazer parte da provedoria. Entre 2007 e 2008, fui primeiro vice-provedor. E como eu era professor de administração na Universidade Federal de Santa Maria, pude exercitar meus conhecimentos e contribuir. Depois, saí da instituição para atuar na prefeitura por 8 anos. Após me aposentar, retornei ao CHAA focado em tornar o hospital mais profissional. No início de 2025, um grupo de conselheiros apresentou uma proposta de gestão diferente, com participação efetiva de todos. E hoje, estou aqui. Orgulho-me em dizer que estou há 34 anos cumprindo o desejo de contribuir com a cidade.
Gestão
A nova gestão do CHAA tem priorizado a transparência orçamentária, a introdução de tecnologias de ponta e o fortalecimento da cultura interna entre os quase 1,8 mil funcionários e 900 médicos da instituição. Um olhar externo para a administração também foi considerado durante o processo de reestruturação. Em agosto deste ano, a provedoria contratou Bernardo Costa como novo diretor executivo do Complexo Hospitalar. Costa é advogado e tem ampla experiência em liderança de operações e unidades de negócios. A mudança é avaliada como positiva por Lemos:
– O nosso primeiro desafio, enquanto gestão, foi mudar a capacidade de ação das pessoas. Elas podem doar muito mais. Trabalhamos com dois vieses: financeiro e recursos humanos. Contratamos um CEO de fora, com experiência hospitalar, para dar um choque na estrutura e trazer conhecimentos diferenciados. A estrutura financeira está 80% avançada. Já estabelecemos fluxo de caixa e teremos orçamento para 2026. No RH, estamos mudando o pensamento das pessoas para que trabalhem com liberdade. Antes, havia engessamento. Hoje, temos um setor de governança onde as chefias se reúnem todas as quintas-feiras para trocar ideias e sincronizar os setores. Criamos um sentimento de pertencimento. Pregamos que somos a “Família Astrogildo”.
Em maio, a instituição realizou um jantar em alusão ao Dia do Trabalhador. Na oportunidade, Lemos homenageou funcionários (abaixo) que completaram 20 e 30 anos de carreira no Complexo Hospitalar. A otimização dos recursos tecnológicos já disponibilizados pela instituição, como as cirurgias robóticas e o serviço de oxigenoterapia hiperbárica, também foi colocada em prática pela nova gestão.

Futuro
A expansão da infraestrutura física e a ampliação da capacidade de atendimento regional norteiam as metas do CHAA para os próximos anos. Segundo Lemos, entre as obras prioritárias desse mandato, estão a revitalização da Maternidade e a conclusão do novo Pronto-Socorro.
– Vamos concluir essa obra, e o Pronto-Socorro será o mais moderno do interior. Na nova unidade, teremos equipamentos de tomografia e ressonância magnética disponíveis no próprio local. Hoje, o paciente precisa circular pelo hospital para fazer exames. Mas, no futuro, tudo será resolvido ali mesmo. Nestes primeiros meses, nosso foco foi solidificar a casa para avançar com os pés no chão. Quero também buscar uma ação integrada entre os poderes Público e o Privado. Embora sejamos um hospital particular, olhamos para o social. Muita gente perambula pelo Estado em busca de atendimento, e queremos sensibilizar os órgãos públicos de que podemos contribuir – reforça Lemos, citando a possibilidade de adesão no futuro a programas do governo federal.
